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VIOLÊNCIA CONTRA MULHER: Psicóloga afirma que educação familiar e machismo contribuem para aumento de feminicídios

Machismo, histórico de violência e cultura social de desigualdade são apontados pela psicóloga do Hapvida em João Pessoa, Joyce Pontes, como os principais fatores para a prática de feminicídio. Na última semana, quatro mulheres foram vítimas desse crime na Paraíba e a freqüência dos casos tem chamado atenção da sociedade para o assunto. A saída para combater essa prática, segundo destaca, está na educação dentro de casa e na escola, com lições de igualdade de gênero.

“Infelizmente ocorre do agressor ou, até mesmo, a vítima vir de um lar violento e desrespeitoso, onde muitas vezes acaba presenciando a mãe ser agredida pelo pai, ou existe uma cultura machista, neutralizando, assim, o conceito de violência contra a mulher”, explica.

Outro fator que contribui para ampliação desses episódios de violência, segundo a especialista, está intimamente ligado à cultura social do povo brasileiro, que tende colocar a figura feminina como uma espécie de anexo de propriedade do homem, um objeto de prazer do qual se tem posse.

“Existem crenças que são impostas, como a ideia que o papel da mulher é estar ao lado do homem independentemente da situação e, caso ocorra o contrário, há uma hostilização social, fazendo com que a mulher se enxergue como incompleta e, dependendo do contexto do indivíduo, essas situações podem acabar reforçando a probabilidade da existência desses casos”, pontua a psicóloga.

Ela explica que o feminicídio é um tipo de crime de ódio que tem por base a questão de desigualdade de gênero, que resulta no assassinato da mulher. Contudo, distúrbios psicológicos também podem estar entre as causas que levam o indivíduo a praticar crimes de violência contra mulher. Mas, segundo informa Joyce Pontes, cada caso deve ser avaliado de forma individual.

“Existem alguns fatores que podem estar associados como o histórico de vida do indivíduo, tendo ele comportamentos violentos com a mulher, filhos, outros familiares e até pessoas próximas. O fato de o indivíduo ter algum tipo de patologia mental pode também estar relacionado, assim como o uso excessivo de álcool e drogas. Não necessariamente todos os casos teriam relação, vai depender muito do contexto”, explica.

Saídas – A especialista afirma que nem tudo está perdido e que a educação, seja no ambiente familiar ou escolar, pode contribuir para formação de homens que fujam das estatísticas de agressores de mulheres. “Costumo dizer que a educação por meio do diálogo é a maior aliada para todos os casos. É importante que a conversa no intuito de minimizar os casos de feminicídio devem ocorrer desde cedo, sendo ela voltada para coletividade, o respeito e a igualdade de gênero”, afirma.

No âmbito escolar, Joyce destaca a importância da criação de programas de conscientização dos papéis e direitos do indivíduo na sociedade. “Ações educativas que visam fortalecer a autonomia das mulheres – no caso de violência contra a mulher –, que tanto pode ser física, como verbal e também psicológica; mostrando como denunciar, procurar ajuda e quais os serviços disponíveis; esclarecendo como funciona a Lei Maria da Penha e, principalmente, alertando estes alunos sobre a diferença entre amor e ciúme excessivo, que é o sentimento de posse”, destaca a especialista.

A psicóloga explica, ainda, que existe a possibilidade de o agressor voltar a não cometer crimes. Porém, para que isso ocorra, o indivíduo precisa assumir e reconhecer o erro. Além disso, deve partir dele o desejo de mudança. “Nesses casos o sujeito pode contar com uma ajuda terapêutica que pode intervir no sentido de desmitificar e desnaturalizar o ato de violência e, dependendo do contexto, trabalhando as possíveis causas”, esclarece.

Dados – Os episódios de violência contra a mulher têm se tornado uma constante na Paraíba. De janeiro a março deste ano um total de 1.016 inquéritos foram instaurados na delegacia da mulher. Esses números equivalem a uma média de 11 mulheres sendo vítimas desse tipo de crime por dia, fora os casos que não são registrados.

Segundo dados do Anuário da Segurança Pública da Paraíba, de 2009 a 2018, um total de 1.083 mulheres foram assassinadas. Em 2018, o número chegou a 84 mortes. Os dados oscilam bastante, mas a maior alta foi no ano de 2011, com 146 mulheres vítimas de crimes violentos e letais. Embora, segundo o Governo da Paraíba, tenha havido uma redução de 29% nos casos desde 2010, os números mostram que não há um controle dos casos. Além disso, o mês de janeiro de 2019 também foi marcado pela violência contra a mulher.

 

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