Saúde

Usar descongestionante nasal em excesso faz mal à saúde?

A obstrução nasal é um sintoma bastante frequente na população, podendo ser causada por diversos fatores. A queixa de “nariz entupido“ pode ser vista em diversas idades, desde a infância até a velhice. Dentre as principais causas da dificuldade de respiração nasal estão a rinite alérgica, desvios do septo nasal, pólipos nas cavidades nasais e aumento do tecido adenoideano (popular “carne esponjosa“).

Segundo o International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) em crianças de 6-7 anos a prevalência de sintomas nasais no último ano sem estar resfriado era em torno de 26,6%, já em adolescentes esse número sobe para 34,2% na idade de 13 a 14 anos. A prevalência de rinite alérgica seria em torno de 12,8% e 18% em crianças e adolescentes respectivamente.

O nariz entupido é uma queixa frequente, e pode ser intermitente ou persistente, bilateral ou unilateral, alternando de acordo com o ciclo nasal e geralmente tendo piora no período noturno. Alternativa frequente utilizada por pacientes e médicos para resolver a dificuldade de respirar pelo nariz é o uso de descongestionantes nasais.
Os descongestionantes nasais podem ser usados de forma sistêmica (por meio de comprimidos) ou na forma tópica (por meio de gotas ou sprays nasais). É bastante comum se deparar com pacientes utilizando descongestionantes nasais tópicos cronicamente, contudo este hábito pode causar prejuízos à saúde.

Os descongestionantes nasais tópicos são medicamentos ditos adrenérgicos, cuja a ação é causar uma vasoconstrição (diminuição do calibre) dos vasos da mucosa nasal, causando alívio rápido da obstrução nasal. Existem no mercado diversas marcas, e modos de aplicação, os principais fármacos são a oximetazolina, nafazolina, efedrina e fenilefrina, que muitas vezes são usados pelos médicos para o controle de sangramentos nasais.

Existem casos onde estas medicações têm as suas indicações, como por exemplo em casos de resfriados, gripes e rinossinusites, patologias com uma curta duração, considerando que os descongestionantes nasais podem ser usados no máximo por 7 dias. Acima deste período se tem a chance de apresentar um efeito rebote, onde após o efeito da medicação, a obstrução nasal evolui com piora, sendo necessário então novamente o uso do medicamento.

O descongestionante nasal vicia?
Com o uso persistente, se tem uma dependência da medicação, e cada vez é preciso maior quantidade para se obter o mesmo efeito descongestionante, ocorrendo então a chamada rinite medicamentosa. Nestes casos o paciente faz uso intenso e crônico de vasoconstritores tópicos nasais, e também tem uma chance maior de evoluir com rinossinusites infecciosas agudas e até crônicas.

Além dos problemas nasais que os descongestionantes tópicos podem trazer, existem problemas sistêmicos que são vistos com o uso indiscriminado dessas medicações, isso ocorre devido a absorção pelos vasos da mucosa nasal, causando danos em outros sistemas. Entre os efeitos colaterais é possível verificar danos ao sistema nervoso central e ao sistema cardiovascular.

Existem estudos mostrando a relação do uso da oximetazolina com dores de cabeça severa, acidente vascular cerebral (AVC), insônia, convulsões e ansiedade. Os efeitos a nível cardíaco estão relacionados com aumento da pressão arterial, taquicardia, e em alguns casos até a queda dos batimentos cardíacos, causando tontura, síncope e até depressão respiratória.
Na literatura se encontra que até 10% dos AVCs em adultos jovens podem ser causados pela superdose de medicações. Existem grandes estudos demonstrando o efeito adverso dos descongestionantes, sendo que 90% desses casos envolvem crianças. Outro fator importante a ser considerado é a possibilidade de retenção urinária causada por estes fármacos principalmente em idosos.

Quando o paciente já está dependente dos descongestionantes nasais, é importante procurar ajuda de um otorrinolaringologista, pois é necessário se ter o diagnóstico inicial do problema que causa a obstrução nasal. É importante que o paciente tente fazer um desmame da medicação, usando menos vezes ao dia, e fazendo uma diluição com soro fisiológico progressivamente.

Além disso, é preciso resolver o problema de base, seja com tratamento medicamentoso e ambiental da rinite alérgica, ou até mesmo com procedimentos cirúrgicos para correção de desvio do septo nasal ou a remoção de pólipos nasais, fazendo com que o paciente deixe de ter a obstrução nasal persistente e que assim não necessite do uso de descongestionantes nasais.

Referências
1. Systemic side effects of locally used oxymetazoline, Int J Clin Exp Med 2015;8(2):2674-2678. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/1ec9/b5893e5f1a8fb4974b7bde16851acab33835.pdf;

2. EFFECT OF INTRANASAL VASOCONSTRICTORS ON BLOOD PRESSURE: A RANDOMIZED, DOUBLE-BLIND, PLACEBO-CONTROLLED TRIAL, The Journal of Emergency Medicine, Vol. -, No. -, pp. 1-10, 2018, 2018 Elsevier Inc. All rights reserved, 0736-4679/$ – see front matter. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0736467918306590

3. Hypertension artérielle maligne et décompensation cardiaque globaleaprès consommation abusive de vasoconstricteur par voie nasale :à propos d’un cas et revue de la littérature, G Model REVMED-5022; No. of Pages 5 La Revue de médecine interne xxx (2015) IV CONSENSO BRASILEIRO SOBRE RINITES – 2017 – ABORL-CCF. Disponível em: https://www.em-consulte.com/en/article/1058912

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