Sexualidade / Comportamento

Jornalistas da Globo livres para se assumirem bi ou lésbicas

A melhor coisa de sair do armário é que ninguém mais pode ameaçar contar aquilo que você já assumiu ser”, disse, em 2008, Rachel Maddow, uma das mais famosas e respeitadas apresentadoras dos Estados Unidos.

Ao se tornar a primeira âncora de programa jornalístico assumidamente lésbica no horário nobre da TV norte-americana, sem que a orientação sexual fosse empecilho para a ascensão profissional, ela encorajou colegas de profissão a também fazer o ‘outing’.

No Brasil, esse movimento de libertação de jornalistas lésbicas atuantes na TV é recente.

Vivemos em uma sociedade machista, discriminatória e opressora. Exige-se coragem extra para sair do armário.

O caso mais midiático aconteceu em setembro de 2016, quando Fernanda Gentil, então âncora do “Esporte Espetacular”, assumiu o relacionamento com a também jornalista Priscila Montandon.

“Estou só exercendo o meu direito de ser muito, muito feliz”, disse na época.

Desde então, a carioca lida bem com as reações de curiosidade a respeito de sua intimidade e os ataques homofóbicos nas redes sociais.

Em julho deste ano, outra jornalista da Globo rompeu o silêncio usado como escudo pela maioria dos homens e mulheres gays que atuam diante das câmeras.

Nadia Bochi, repórter do “Mais Você” de Ana Maria Braga, usou seu perfil no Facebook para um desabafo.

“Me reconheci lésbica numa época em que ser homossexual não tinha nenhum glamour. Não existia beijo gay nas novelas, pelo contrário, as lésbicas explodiam junto com os prédios”, escreveu, referindo-se à morte do casal Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer), eliminado na explosão de um shopping na novela Torre de Babel (1998-1999), por conta da rejeição dos telespectadores conservadores.

“Há 15 anos sou repórter da Globo e entro na casa de milhões de pessoas com tudo que me constitui: meu profissionalismo, sensibilidade, a voz, os ouvidos e também o meu jeito de amar”, relatou Nadia em outro trecho do post.

No último Natal, uma das veteranas da GloboNews compartilhou no Instagram uma foto ao lado da companheira. Leilane Neubarth recebeu centenas de comentários de apoio e felicitações.

Com testemunhos emocionados ou postagens discretas, essas três profissionais da comunicação contribuem para o combate à homofobia.

Elas trabalham na maior empresa de mídia do País e são reconhecidamente competentes. O fato de serem gays ou bissexuais é irrelevante no cumprimento de suas funções.

Uma precursora entre as jornalistas militantes pelo respeito da homoafetividade é Barbara Gancia, ex-apresentadora do “Saia Justa”, do canal GNT. Ela sempre disse a verdade a respeito de sua sexualidade.

“Opto por ser fiel a mim, da forma mais digna e transparente possível, caminhando no sentido contrário das farsas, da impostura e das trevas”, explicou, anos atrás.

Algumas atrizes da Globo também declararam ao público o amor por outras mulheres.

Nos últimos tempos, Nanda Costa, Thalita Carauta e Bruna Linzmeyer passaram a falar abertamente da questão e viver seu relacionamento sem o temor de um flagra pelos paparazzi.

Tal liberdade é mais uma etapa da revolução feminina (e feminista) iniciada no século 19.

Certa vez, ao ser questionada a respeito da importância de assumir a orientação sexual, a escritora norte-americana e ícone gay Rita Mae Brown foi sucinta e, ao mesmo tempo, totalizante: “Tudo que você deve fazer na vida é ser quem você é”.

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