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‘Dumbo’ de Tim Burton reinventa a história original de maneira incrível

Justiça seja feita: Dumbo, de 1941, é um dos maiores clássicos da Disney e merece que as novas gerações também se apaixonem pela história de superação do elefante com orelhas gigantes. O live-action, dirigido por Tim Burton, que estreia no Brasil nesta quinta-feira (28), consegue, com um novo olhar e de maneira interessante, fazer isso e, principalmente, reencantar quem já o conhecia.

O novo longa conta a história por uma nova perspectiva regada de aventura, mas Dumbo segue sendo um elefantinho de circo com orelhas gigantes – que é considerado uma aberração, mas tem o poder de voar. Separado da mãe, ele precisa superar o preconceito e também seus medos.

No elenco, temos bons nomes como Danny DeVito, Michael Keaton, Eva Green, Colin Farrell e Alan Arkin.

Se antes a trama acontecia por meio da interação entre os próprios animais do circo, a versão de Burton ganha novos personagens e uma trama familiar. São os humanos que movimentam a narrativa, deixando-a mais realista.

A produção de 2019 pega como gancho Holt (Colin Farrell), uma estrela do circo, que precisou ir para a guerra e quando volta é recontratado pelo dono do circo Max Medici (Danny DeVito) para cuidar do elefante recém-nascido. Por causa das suas orelhas muito grandes e do seu jeito desajeitado, Dumbo vira alvo de piadas, até que os filhos de Holt, a garota Milly (Nico Parker) – que, inclusive, é uma personagem feminina incrível –  e seu irmão Joe (Finley Hobbins) descobrem que ele tem o dom de voar. Após a notícia se espalhar, o ganancioso empresário V.A. Vendevere (Michael Keaton) entra em cena para transformar o animalzinho em uma estrela e lucrar muito com isso.

No decorrer da história, Dumbo e a trupe do circo precisam lutar o tempo todo contra o preconceito e a ganância, usando coragem e união. Esse aspecto faz com que o filme se conecte com os tempos atuais, já que vivemos numa época em que essa batalha é mais do que necessária.

Sobre a adaptação, aquela parcela do público que preza pela fidelidade ao original pode cobrar mais emoção, talvez escondida no meio de cenas marcadas pelas aventuras do live-action. Entretanto, o conjunto da obra é daqueles que deixam o expectador arrepiado durante toda a sessão, seja pelo toque sentimentalista ou pelo movimento extraordinário.

Com traços estéticos bem mais sutis do que a maioria esperava de uma obra de Tim Burton, o filme segue mais a linha clássica dos filmes da Disney. Os cenários são grandiosos – o Dreamland, onde fica o luxuoso circo para onde levam Dumbo após descobrirem sua capacidade de voar, por exemplo, enche os olhos. Sem contar os figurinos e caracterizações, que também são incríveis.

Outro feito é a criação, por meio de computação gráfica, do elefantinho protagonista. Apesar de mais sombrio que o da animação, ele continua com a sua doçura.

Assim como a imagem de Dumbo, a estética geral não é infantilizada, o que não significa que a imaginação não foi muito bem trabalhada. Pelo contrário, pois na frente da tela você viaja com naturalidade em aspectos extraordinários – como um elefante a voar, levando alguém nas costas. O visual, de mãos dadas com a mensagem e embalado numa trilha sonora tocante, leva os adultos nessa viagem, sem dúvidas.

Uma experiência além do cinema
Antes de você sair correndo para o cinema conferir Dumbo, peço licença para contar um pouquinho sobre uma experiência diferente que tive no trabalho. Um dia antes de assistir ao filme, fui para um evento de imprensa, a convite da Disney Brasil.

Eu e outros jornalistas saímos das redações para passar uma manhã em um circo. Nada de entrevista coletiva com algum personagem do filme em um lugar temático ou algo assim, a proposta era vestir roupas confortáveis e tirar os sapatos mesmo. E com a ajuda da Cia Cênica Nau de Ícaros, aventurar-se no trapézio, tentar a arte do palhaço e se equilibrar em uma pirâmide humana.

Sim, foi desafiador: a vergonha, o medo de cair ou até mesmo de não conseguir. Mas assim como o nosso elefantinho querido, é preciso ter coragem tanto nos pequenos desafios da semana, até nos grandes momentos de paralisação da vida.

Nesse dia, tentei voltar às minhas lembranças, mas não recordei a última vez em que tinha ido a um circo e pensei “por que não apreciamos mais essa arte tão divertida?”. Ter esse reencontro com aquele espaço e vivenciar aquele mundo fez ainda mais sentido depois de assistir ao longa. Porque, afinal, Dumbo é um filme para ser sentido e o circo também. Então deixo aqui a minha dica

 

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