segunda-feira, abril 6, 2020
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De manhã sou pedreiro, à noite sou Drag Queen, carioca faz sucesso no teatro e bomba na net

Igor William de Santana, de 29 anos, foi expulso de casa por ser gay quando tinha 19. A mãe do jovem não aceitava a orientação sexual dele. Da decepção com a progenitora, ele fez a promessa de que construiria seu próprio lar e começou a estudar teatro. Da dedicação, surgiu o interesse por personagens femininos.

“Para o ator, não há masculino ou feminino e sim os personagens. Eu usei o recurso do transformismo inspirado nas vilãs de novela”, explica Igor.

Após estrelar inúmeros papéis em teatros pelo Rio e se apresentar como drag em uma casa noturna na Central do Brasil, Igor se consolidou como Safira O’hara. A personagem de sucesso na noite carioca, entretanto, trouxe a preocupação com a homofobia ainda mais presente para sua vida.

“Show de drags geralmente são à noite e temos que ser muito mais espertas. Eu não levo maquiagem na rua porque corro risco de ser roubada. Me maquio em casa, boto um boné e visto camisa de escola de samba. Quem me vê montada na rua vai achar que trabalho com carnaval e não fará nada. Eu moro em uma comunidade e volto de madrugada, nunca sofri agressão física, mas sempre ouço piadas. Como Sofia, eu tenho que andar mais rápido como forma de me proteger”, conta a drag que também trabalha como sushiman em um restaurante japonês.

Safira O’hara ficou famosa nas redes sociais ao mostrar outra habilidade: pedreira. Com o dinheiro das apresentações e outros trabalhos, Igor comprou um terreno na Pavuna, na Zona Norte do Rio, e está construindo sua própria cosa com o auxílio do amigo Severino, de 56 anos.

“De manhã sou pedreiro, à noite drag queen. Atualmente tenho uma relação saudável com minha mãe, mas precisava dar esse tapa na cara do passado e construir minha própria casa. Além disso, tenho um tio homofóbico que é pedreiro. Essa é uma forma de mostrar que posso ser o que eu quiser”, conta emocionada Safira.

A relação ruim com a mãe ficou no passado e Safira é elogiada pela matriarca. Porém, ela nunca viu nenhuma apresentação do filho.

“Ela vê fotos e elogia bastante. Mas nunca teve a oportunidade me assistir no palco. Do passado, ficou uma lição para mim. Muitos LGBTIs são expulsos de casa pelas pessoas que mais amam e eles podem sim dar a volta por cima. Ao invés de voltar para casa porque não construir a sua? Vamos atrás dos nossos sonhos e conquistamos o mundo com nossas mãos”, conta enquanto explica que não tem preferência de ser chamada de Igor ou Safira.

 

 

 

 

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