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ALERTA: Infectologista fala sobre Meningite Meningocócica, doença que matou o neto do ex-presidente Lula 

Um processo inflamatório das meninges – tecido que envolve o cérebro – causado pela bactéria Neisseria meningitidis foi o que ocasionou a morte de Arthur Lula da Silva, 7 anos, neto do ex-presidente do Brasil, Lula. A Paraíba já registrou este ano 10 casos de meningite, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. Em fevereiro, o vereador de Alagoa Grande, na região do Brejo paraibano, Marcelo dos Santos Almeida, de 42 anos, morreu com a doença.

Para esclarecer sobre o assunto, o médico infectologista do Hapvida João Pessoa, Fernando Chagas, esclarece alguns pontos acerca dessa doença que é tão temida. “A meningite meningocócica é transmitida pela via respiratória e pode levar a morte em pouco tempo pelo seu avanço rápido no corpo humano” e alerta: “Quando apresentar algum sintoma da doença é importante iniciar o tratamento imediatamente. Depois é que se investiga o tipo da meningite”, diz.

A meningite do tipo bacteriana é motivo de muita preocupação pelos especialistas. Os seus sintomas incluem febre alta, dor de cabeça e rigidez do pescoço ou da nuca. Também é normal o paciente ter mal estar, náusea, vômito, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz) e confusão mental. Conforme o quadro se desenvolve, acrescenta-se à lista convulsão, delírio, tremor e coma. “Em alguns casos o paciente pode ficar sem enxergar, sem ouvir e até perder membros do corpo dependendo do avanço da enfermidade”, explica o infectologista.

Qualquer microrganismo pode infectar o local e causar a infecção levando à meningite. Ou ainda entrar pelas meninges e causar uma meningoencefalite, que é uma inflamação do próprio cérebro. “Outro microorganismo que pode provocar a meningite é a bactéria streptococcus pyogeneses, conhecida como pneumococo, que é uma bactéria que boa parte da população possui na garganta e caindo no sistema sanguíneo e chegar ao cérebro pode causar a meningite”, explica o especialista.

Fernando Chagas ressalta os cuidados necessários que podem combater a transmissão da bactéria. “É importante ter cuidado com lugares aglomerados em períodos de surtos da doença. Ao ter contato íntimo com pessoas que tenham tido esse tipo de meningite é válido procurar assistência médica para fazer o uso de medicamentos que matam a bactéria.  Além disso, lembrar sempre de manter os cuidados com a higiene pessoal”.

Diagnóstico e Tratamento – O diagnóstico das meningites é feito por meio de uma punção em que se faz retirada do líquido presente entre as meninges. Essa punção, cerebroespinhal é feito na coluna. O tratamento da meningite bacteriana é feito com antibióticos, associados ou não a corticóides e a internação sempre é necessária.

Vacinas – Existem vacinas contra os sorotipos que causam a meningite meningocócica, que são a A,  B, C, W, Y. Porém, a única disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a do tipo C. Já as do tipo B e a conjugada A, C, W, Y só é encontrada na rede privada.

Dados – A Paraíba já registrou este ano 10 casos de meningite, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. A doença foi detectada em pacientes de João Pessoa, Campina Grande, Alcantil, Alagoa Grande, Catolé do Rocha e Sousa. No ano passado, foram confirmados 38 casos da doença no Estado. Em 2017, 50 registros foram realizados.

No ano passado foram registradas 1.072 ocorrências de doença meningocócica no Brasil e 218 mortes. Em relação à meningite pneumocócica, foram 934 ocorrências e 282 mortes. As causadas por outras bactérias somaram 2.568 notificações e 316 óbitos. No caso da viral, foram registrados 7.873 casos e 93 mortes. Já as meningites por outras etiologias contabilizaram 624 ocorrências e 122. Os dados são do Ministério da Saúde.

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