Professores em GreveMais uma assembléia geral do magistério foi realizada na tarde deste domingo (05) para traçar as estratégias da greve da categoria, que tem início nesta segunda. Com a paralisação das aulas, mais de 7 mil alunos da rede pública municipal de ensino ficarão sem aulas. O calendário letivo previa o fim do recesso junino para esta segunda, mas o retorno às aulas agora tem data indefinida.

A categoria reivindica 2% de reposição da inflação e 28% de repasses de verbas do Fundeb, percentual igual ao repassado pelo Governo Federal para o município neste ano. “Este percentual deve ser repassado aos salários de nossos professores. Tudo depende de vontade política, mas o prefeito sinaliza com menos da metade desse montante (13%), demonstrando a falta de compromisso com a educação.” Disse Jorge Galdino – Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sapé (Sindservs).

Na assembleia foram apresentados os últimos informes sobre a campanha salarial e também foi debatido a nova proposta do prefeito, considerada um “duplo golpe” nos salários dos profissionais do Magistério. O Executivo agora oferece reajuste salarial de 13%, tomando como base o salário de Abril (2009), para os meses de Maio, Junho e Julho de 2009, e mais 2% de reajuste, também tomando como base os vencimentos de Abril de 2009, para os meses de Agosto, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro deste ano, e ainda um reajuste de 27% a partir de Janeiro de 2010. “Esse é um golpe que o prefeito quer aplicar na categoria. Além de querer repassar menos da metade do que os professores têm direito este ano, ele agora incrementou a enganação oferecendo também um reajuste de 27% para 2010, quando sabemos que o novo Piso Salarial Nacional do Magistério deverá ser implantado em sua integralidade a partir de janeiro do próximo ano, e o valor é muito superior ao que o prefeito oferece agora. Assim, ele propicia prejuízos à categoria este ano e também no próximo. Um duplo golpe no Magistério” disse Galdino.

Segundo os dirigentes do sindicato, a categoria não está cobrando nada relativo a gestões anteriores e também não aceita negociar nada agora referente a 2010. “O que queremos é apenas o repasse deste ano e nada mais. É simples e fácil de atender nossas reivindicações, já que as verbas reajustadas em mais de 28% já estão nos cofres da prefeitura desde janeiro deste ano. Nós estamos cobrando o reajuste referente a maio, portanto a prefeitura ainda vai sair lucrando, já que vai ficar com esse reajuste referente ao primeiro quadrimestre de 2008, mas mesmo assim o que recebemos é uma proposta vergonhosa, e o prefeito ainda tem a cara-de-pau de veicular na imprensa que está reajustando os salários em 45% em dois anos, uma vergonha!” – enfatizou Mariza Alexandre, vice-presidente do Sindicato.

A categoria também emitiu nota à comunidade se comprometendo em repor todas as aulas logo após o término da greve, que poderá ocorrer a qualquer momento se o prefeito atender às reivindicações do Magistério. “A LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional) é clara quanto ao número de aulas letivas durante o ano, e vamos seguir a legislação repondo todas as aulas, mesmo que seja necessário adentrar ao primeiro bimestre do próximo ano. Os alunos não terão prejuízos, mas a culpa dos transtornos da greve é unicamente do prefeito”, disse a professora Joselma Barbosa.

O salário-base do Magistério de Sapé é de apenas R$ 440,00, um dos menores do Nordeste, e a cada ano acumula defasagens inflacionárias devido aos constantes desgovernos que passam pelo município, famoso pelas lutas do magistério ao longo dos últimos 10 anos, quando diversas manifestações, greves e denúncias foram feitas, resultando na cassação de dois prefeitos e no afastamento temporário de mais dois gestores durante essa década.

INFORMAÇÕES: 3283-1020 (SINDICATO)  8836-0340 (JORGE GALDINO)

Fonte: Jornal Força de Expressão

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