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Dois dias após bate-boca com repórter, Atlético-MG demite Oswaldo de Oliveira

© Gazeta Press

Oswaldo de Oliveira não é mais técnico do Atlético-MG.

A informação inicial foi dada por órgãos da imprensa mineira e posteriormente confirmada pela reportagem do ESPN.com.br tanto com a assessoria do clube, como com Augusto Castro, empresário do carioca de 67 anos.

O treinador esteve com seus advogados tratando da rescisão do contrato, que tinha validade até dezembro.

Ao meio-dia, em entrevista coletiva, o diretor de futebol, Alexandre Gallo, e o presidente, Sérgio Sette Câmara, anunciaram a saída de Oswaldo.

“A gente lamenta a perda de Oswaldo. Uma pessoa espetacular, de excelente caráter, e a gente teve o privilégio de conhecer. Sinto muito a saída dele”, comentou o mandatário.

A decisão ocorre dois dias depois do ríspido bate-boca entre o técnico carioca e o repórter da Rádio Inconfidência Leo Gomide, após a classificação e o empate em 1 a 1 com o Atlético-AC, válido pela primeira fase da Copa do Brasil.

Oswaldo deixa o “Galo” quase quatro meses depois de assumir o time, no fim de setembro do ano passado. Ele comandou o clube alvinegro em 20 partidas oficiais, obtendo ao todo oito vitórias, nove empates e três derrotas, saindo com 55% de aproveitamento.

Ele chegou ao Atlético para substituir Rogério Micale e, inclusive, recebeu a ligação do então presidente, Daniel Nepomuceno, ao vivo, durante o programa Resenha ESPN. Sua estreia aconteceu em 1º de outubro, na vitória fora de casa sobre o xará paranaense, por 2 a 0.

Entenda o episódio que pesou na demissão de Oswaldo:

Logo após o empate em 1 a 1 com o Atlético-AC, pela Copa do Brasil, o treinador não gostou da pergunta que o jornalista Leo Gomide, da Rádio Inconfidência, tentava fazer, entendendo que ele queria menosprezar a classificação à próxima fase da Copa do Brasil.

“Durante os 90 minutos o que pareceu é que o Atlético não sabia se atacaria para os lados, se tentaria contragolpear… Posso completar, por favor?”, perguntou Gomide, já sendo interrompido por Oswaldo.

“Não pode porque você sempre faz essas perguntinhas mal-intencionadas. Quem tem que dar opinião sou eu, não você. Você opinou. Disse que não sabia como o time estava jogando. Está enganado. Não seja tendencioso. Se você fizer uma pergunta, eu respondo. Está tentando por palavras na minha boca e isso não vou aceitar. Então faça a sua pergunta”, disse Oswaldo.

“Por onde o Atlético atacou mais e como procurou se defender?”, seguiu Gomide.

“Sua pergunta é essa? Nós atacamos de todas as formas que conseguimos. Planejamos, treinamos fazer as jogadas pelo lado do campo, as jogadas de bola parada, os contra-ataques que aconteceram. Criamos várias jogadas no primeiro tempo e no segundo. O árbitro poderia ter dado dois pênaltis e nós sairmos daqui com 3 a 1. Essa é a síntese. Agora quem não tem boa vontade, quem quer usar o lado pejorativo, faz o tipo de pergunta que você fez. Só que você repete isso todas as vezes. Eu calmamente tenho administrado, mas hoje a sua insistência… O Atlético está classificado e isso é positivo. Ou não está? Você é que não quer perguntar, quer fazer análise. Comigo não! Você faz análise na sua rádio, aqui você faz a sua pergunta e eu respondo”, respondeu Oswaldo, com bate-bocas no final da resposta.

Neste momento, Gomide desiste da entrevista e até desliga a câmera com que gravava. Oswaldo se volta para responder outra pergunta, mas se irrita ao ouvir alguma coisa.

“C*** é você, babaca. Que porra é essa? Tá pensando que está falando com quem?”, disse Oswaldo, indo para cima de Gomide.

O jornalista se defendeu dizendo que não havia falado nada.

Mais tarde, o “Galo” anunciou que o profissional da Rádio Inconfidência estaria vetado de adentrar às dependências do Centro de Treinamento do clube, até para evitar posteriores problemas de com Oswaldo de Oliveira.

Em nota oficial, o técnico pediu desculpas, mas reiterou que foi xingado por Gomide.

“Venho a público hoje para reconhecer meu erro e me desculpar pelo episódio infeliz acontecido na noite desta quarta-feira. Estou no futebol há mais de quatro décadas e agradeço ainda correr em minha veia o sangue competitivo de um profissional, com muita gana de fazer com que as coisas deem certo sempre. É isso que me motiva a seguir no futebol, me empenhando ao máximo diariamente em busca das vitórias e, claro, títulos.

Ontem, após nossa classificação na Copa do Brasil, ouvi o maior desaforo de toda a minha carreira do jornalista Léo Gomide (impronunciável aqui publicamente). Ouso afirmar que, PROPORCIONALMENTE, nem da arquibancada havia recebido tamanho insulto, mesmo levando em conta toda a passionalidade do torcedor pelo seu clube do coração. Tenho testemunhas de tudo o que saiu da boca desse rapaz, não à toa o próprio Atlético proibiu sua entrada na Cidade do Galo, e podem ter certeza, não foi a meu pedido.

Como ser humano, especialmente sob estresse de um jogo complicado, reagi imediatamente para me defender. As palavras que ouvi me tiraram do sério, acabei me exaltando e, por conseguinte, tive uma reação irracional – a exemplo do repórter em questão – não condizente com a do profissional que sou e sempre fui.

Peço desculpas pelo incidente de ontem ao Atlético, clube que represento, à nossa imensa e fiel Massa Atleticana, e a todos os demais profissionais da imprensa, os quais tanto respeito, tenho carinho e admiração”, escreveu, por meio de sua assessoria de imprensa.

Presidente do Atlético-MG, sobre saída de Oswaldo: ‘Deus sabe como nos classificamos no Acre’

O presidente do Atlético-MG Sérgio Sette Câmara esteve nesta sexta-feira ao lado do diretor de futebol, Alexandre Gallo, para anunciar a demissão do técnico Oswaldo de Oliveira do comando do clube.

De acordo com o mandatário alvinegro, ela nada teve a ver com a discussão do treinador com o repórter Leo Gomide, da Rádio Inconfidência, após o empate em 1 a 1 com o Atlético-AC, que classificou os mineiros à segunda fase da Copa do Brasil.

“Foi um jogo difícil para todos nós, tínhamos a obrigação de classificar e fazer ali uma partida convincente. Isso não aconteceu, sofremos muito e Deus sabe como conseguimos classificar naquele dia”, comentou.

“A gente sentiu um vestiário difícil, duro, todo mundo tem consciência quando faz uma boa partida ou não. A classificação veio diante de um adversário muito mais fraco, mas muito mais dedicado e só não levou da gente a classificação por detalhe”, completou.

Câmara ainda aproveitou para, diversas vezes, reiterar de que a saída de Oswaldo foi “por motivo técnico”.

“Isso (discussão) não pesou na demissão. Ela é exclusivamente técnica. Eu fiquei muito preocupado com o que vi no jogo do Acre, todo mundo que cobre o Atlético aqui teve a mesma sensação, algo tinha que ser feito. Às vezes o errado é você continuar com algo que vê que não vai decolar”, disse o presidente.

“Acho que, com uma nova filosofia, nosso elenco pode entregar mais, acho que essa mudança ainda que bem cedo ela é correta, necessária. A gente vai fazer um ajuste de rumo e vamos em busca de grandes títulos”, bradou Sette Câmara.

O próximo jogo do Atlético-MG é já neste sábado, às 16h30 (de Brasília), diante da Caldense, no Estádio Independência. Thiago Larghi, que esteve no banco de reservas há menos de uma semana contra a URT, será o comandante nesta partida.

Por ESPN

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