Na Espanha, manifestantes pedem referendo sobre reforma constitucional
Cidadãos dizem que partidos fecharam acordo sem pedir a opinião de todos
Centenas de pessoas protestaram neste domingo (28) em Madri contra um projeto de reforma constitucional que introduz o princípio do equilíbrio orçamentário, e pediram um referendo sobre a medida fechada pelo governo e a oposição.
Com um grande cartaz onde se lia: “não a essa reforma da Constituição. Nenhum passo atrás”, os manifestantes partiram às 16h (13h no horário de Brasília) da estação de Atocha, em direção à praça central Puerta del Sol, ocupada pelo movimento dos “indignados” durante um mês, entre maio e junho.
Em outro grande cartaz poderia ser lido: “o povo também conta, referendo já!”. Outras manifestações semelhantes ocorreram em outras cidades espanholas.
Em um esforço para interromper a pressão dos mercados financeiros sobre a dívida pública espanhola, os dois principais partidos do país, o Partido Socialista Operário Espanhol (no poder) e o Partido Popular (oposição de direita) fecharam um acordo na semana passada para introduzir o princípio do equilíbrio orçamentário na Constituição, mediante uma reforma.
A proposta, que para ser aprovada deve ter o apoio de três quintos de ambas as câmaras, o Congresso e o Senado, será examinada na terça-feira pelos deputados, em uma sessão extraordinária.
Pablo Padilla, estudante de 22 anos, disse que “uma vez mais os dois grandes partidos fecharam acordo sem pedir a opinião dos cidadãos”.
- Esse teto de gasto vai ampliar ainda mais o problema, hipotecar o futuro, seja em matéria de educação ou de saúde.
Manuel Muñoz, sociólogo aposentado de 59 anos, lamentou o acordo.
- Levamos anos esperando uma reforma da Constituição sobre outros temas e agora planejam essa reforma só para seguir as normas da [chanceler alemã, Angela] Merkel.
Em 16 de agosto, França e Alemanha propuseram que os 17 países da Zona do Euro adotassem antes do verão de 2012 a “regra de ouro” que prevê o equilíbrio orçamentário.
O PSOE e o Partido Popular concordaram em incluir na reforma constitucional uma lei orgânica que fixará em 0,4% do PIB o limite do déficit público espanhol a partir de 2020.
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