Magistério de Sapé deflagra greve por tempo indeterminado
Uma assembleia geral realizada na noite de terça (30/06) reuniu o magistério público municipal de Sapé para discutir a campanha salarial 2008.
Uma assembleia geral realizada na noite de terça (30/06) reuniu o magistério público municipal de Sapé para discutir a campanha salarial 2008. Na reunião foram apresentados os últimos informes sobre a campanha e também foi debatido o silêncio do prefeito João Clemente Neto (DEM), que mesmo diante de uma paralisação anterior de uma semana, não apresentou nova proposta de reajuste salarial da categoria.
O Magistério reivindica 30% de reajuste, mas a última proposta do prefeito foi de apenas 13%. Os professores não aceitaram a proposta, criando um impasse nas negociações, já que apresentam dados que comprovam o reajuste de 28,2% nas verbas do Fundeb. “Este percentual deve ser repassado ao salários de nossos professores. Tudo depende de vontade política, mas o prefeito sinaliza com menos da metade desse montante, demonstrando a falta de compromisso com a educação.” Disse Jorge Galdino – Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sapé (Sindservs).
A greve terá início na próxima segunda (06), data prevista para o retorno do recesso escolar no calendário municipal, mas os profissionais do magistério prometem paralisar todas as unidades de ensino e ainda promover diversas manifestações pelas ruas do município.
“Já fizemos uma paralisação de advertência de cinco dias, realizamos o ‘velório e cortejo da educação’ conduzindo um caixão simbolizando o descaso com o ensino no nosso município. O prefeito sabe que não vamos desistir e nem estamos brincado. Vamos mostrar para todo o Estado como são tratados os professorem em Sapé. Até hoje, nem ao menos a pintura das unidades de ensino foi realizada.”, desabafou Mariza Alexandre, professora e vice-presidente do sindicato. O prefeito foi comunicado oficialmente da decisão da categoria na manhã desta quarta (01).
O município de Sapé é famoso pelas lutas do magistério ao longo dos últimos 10 anos, quando diversas manifestações foram feitas como greve de fome, acorrentamento de professores na sede do poder Executivo, acampamento em frente à prefeitura e diversos embates na justiça, resultando na cassação de dois prefeitos e no afastamento temporário de mais dois gestores durante essa década.
Segundo a direção do sindicato, a categoria está disposta a manter as negociações, mas o prefeito não admite rever seu posicionamento de propor um percentual mais próximo do reivindicado pelo magistério. “A greve é culpa do prefeito João Clemente. Só ele pode impedir que a greve aconteça na próxima segunda. Os recursos já estão disponibilizados nas contas desde o mês de Janeiro, estamos cobrando o reajuste só a partir do mês de Maio, data-base da categoria, portanto a prefeitura já deveria ter inclusive saldo para oferecer algo além do que o magistério reivindica. É pura falta de compromisso com a educação”, disse Galdino.
Com a greve, quase 8 mil alunos ficarão sem aulas por tempo indeterminado, mas segundo a direção do sindicato, todas as aulas serão repostas assim que o movimento for encerrado, já que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional prevê o mínimo de 800 horas/aula ministradas em pelo menos 200 dias letivos. Portanto, caso a greve se estenda por um período prolongado, existe a possibilidade do ano letivo 2009 se estender até o primeiro bimestre de 2010.
Fonte:Jornal Força de Expressão

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